08/04/2013

Pais terão de matricular filhos de 4 anos na escola

Lei publicada no Diário Oficial prevê que novas vagas sejam oferecidas a partir de 2016. Hoje, idade mínima para ingresso é de 6 anos.

O governo federal publicou ontem no Diário Oficial da União uma nova lei que obriga pais ou responsáveis a matricular crianças de 4 anos na pré-escola. O texto altera uma lei de 1996 que estabelecia a idade mínima obrigatória para o ingresso na escola como 6 anos.
Segundo o Ministério da Educação (MEC), a publicação adequa a lei a uma emenda constitucional de 2009 que já determinava “educação básica obrigatória e gratuita dos quatro aos 17 anos”. A mesma emenda dá às redes estaduais e municipais de educação um prazo até 2016 para se adequar e oferecer vagas para atender essa faixa etária.
A publicação no Diário Oficial revela que “a educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até cinco anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade”.
O texto publicado ontem também divide a educação básica obrigatória em pré-escola, ensino fundamental e ensino médio. Ele garante ainda atendimento aos jovens em todas essas etapas por meio de programas suplementares para oferecer material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.
Na pré-escola, os jovens deverão ser avaliados mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento, mas sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. Também deve haver controle de frequência exigindo a frequência mínima de 60% do total de horas.


 
Diversidade
Outra novidade na lei foi a inclusão de mais um princípio a ser observado no processo de ensino das escolas. Trata-se da “consideração com a diversidade étnico-racial”. Princípios como igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, pluralismo de ideias, valorização do profissional da educação escolar e garantia de padrão de qualidade já estavam contemplados no texto anterior.
 
Fonte: Gazeta do Povo
Publicado em 06/04/2013

02/04/2013

Aprendizagem

Dislexia afeta 7% das crianças

Quanto antes for identificado o transtorno, menores os prejuízos acadêmicos, sociais e psicológicos para crianças e suas famílias
 
Quando a mãe de Yan, 7 anos, descobriu que o filho tinha dislexia, o menino já havia mudado de escola três vezes por causa de dificuldades no aprendizado. A identificação do problema foi o caminho para que ele finalmente começasse a evoluir nos estudos. Refeitas com um novo método, suas provas que antes tinham notas baixas hoje têm 9 ou 10, resultados que restituíram o interesse pela escola e a aceitação dos colegas.
A história de Yan não é um caso isolado. A dislexia afeta cerca de 7% das crianças, a maioria meninos. Apesar da grande incidência, muitas escolas e professores ainda não estão preparados para lidar com esse transtorno, de difícil diagnóstico. De origem neurobiológica e genética, a dislexia pode comprometer o desenvolvimento das habilidades de escrita, decodificação e pronunciação das palavras. Se tratado a tempo, no entanto, o distúrbio não chega a prejudicar a aprendizagem das crianças.
 
Diagnóstico
Todos os meses cerca de 2 mil pessoas procuram a Associação Brasileira de Dis­lexia (ABD), em São Paulo, em busca de mais informações sobre o transtorno. Em geral, os pais decidem investigar o problema quando a criança já teve alguns anos de escolarização, com desempenho escolar ruim, dificuldades de socialização e baixa autoestima. Nesse cenário, a descoberta de que a criança poderá superar esses obstáculos é um alívio para muitas famílias.
“O disléxico evolui de forma consistente se conta com um acompanhamento adequado”, diz a neuropsicóloga da ABD Maria Inez Ocanã De Luca. De acordo com a especialista, o estudante com dislexia deve estar inserido na sala de aula comum, com pequenas mudanças. “A prova escrita, por exemplo, não é o melhor método. É mais indicado fazer o exame em uma sala em separado, com alguém lendo as questões e com tempo maior para que elas sejam respondidas”, afirma.
Assim como os óculos auxiliam quem não enxerga bem e as muletas são importantes para quem tem mobilidade reduzida, os disléxicos também precisam de instrumentos pedagógicos para enfrentar seus limites. A neuropediatra Mauren Bodanese explica que esse entendimento é fundamental no acompanhamento dessas crianças, e que as escolas precisam estar dispostas a ajudar. “Enquanto a criança não adquirir a habilidade da leitura e interpretação, como vai ser avaliada no que não sabe fazer? Não é como colocar o cadeirante no colo, mas disponibilizar uma rampa para ele subir”, diz.
Além do acompanhamento adequado, família e escola precisam trabalhar juntas. Na opinião de Fátima Minetto, mestre em Educação e doutora em Psicologia, é necessário que os responsáveis pela criança compreendam a dislexia e saibam como agir. “Não saber do diagnóstico do filho faz com que a criança se construa pelo olhar da angústia dos pais. Isso dificulta que um adulto com dislexia tenha uma vida normal e capaz”, alerta.
 
Acompanhamento
Com a suspeita de dislexia, a criança precisa de atendimento especializado. Veja o que fazer:
- Para a Associação Brasileira de Dislexia, o ideal é que a criança seja levada a atendimento especializado após o início da escolarização, quando ela começa a ter dificuldades para escrever ou na compreensão de textos.
- Descartada a falha pedagógica da escola, é preciso buscar ajuda profissional. A orientação de um neuropediatra é importante para descartar outros problemas, como deficiência intelectual.
- Em uma avaliação multidisciplinar, exames de exclusão devem ser feitos, como os que verificam deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais e desordens afetivas. Vários profissionais fazem esse trabalho, como fonoaudiólogos e psicopedagogos. Quando há prejuízo emocional, o acompanhamento psicológico é fundamental.
- Além de contar com um ambiente de leitura adequado em casa, silencioso e sem distrações no entorno, as crianças devem saber que têm a dislexia. Assim, podem entender o motivo de suas dificuldades e saber reagir perante as prováveis dificuldades com os estudos e colegas.
- A escola deve atender de forma diferenciada os alunos com dislexia, como é previsto por lei. As modificações vão desde a oferta de tarefas e avaliações diferenciadas, às vezes em forma oral, até mais tempo para a resolução.
- Os pais precisam ser os principais aliados. Além de terem paciência nos momentos de lição de casa e de incentivarem o aprendizado, especialistas sugerem que os pontos positivos da criança sejam elogiados, como os desenhos bonitos que faz, o comportamento atencioso com colegas, a ajuda em casa etc.
 
 
Bê a bá da Dislexia
Confira os sinais mais comuns desse transtorno de aprendizagem nas crianças:
 
- Na escrita, troca letras, junta palavras que são escritas separadas e separa as que são escritas juntas. Copiar do quadro ou do livro é desgastante.
- O disléxico tem prejuízo da coordenação motora fina, letra feia e irregular e dificuldade para passar da letra de forma para a de mão ou cursiva.
- É mais complicado para aprender Matemática, decorar a tabuada e entender os enunciados de problemas. É difícil conseguir a compreensão e reter informações na leitura.
- A compreensão de textos é difícil, a criança se sai melhor quando ouve a história e também se expressa melhor oralmente que na escrita.
- Como tem confusa a relação entre as partes, não consegue montar quebra-cabeças com a mesma destreza que outros da sua idade.
- É desatenta e dispersa. Cansa e abandona ações antes de completá-las. Tem vocabulário pobre.
- Demonstra má vontade na hora de ir para a aula. Pode faltar e esquecer propositalmente materiais em casa para que não percebam que não conseguiu fazer a tarefa.
- Aprender inglês é muito difícil, disléxicos do mundo todo sofrem com isso. Já com idiomas como italiano e espanhol o aprendizado é mais fácil, pois é mais coerente a relação entre som e grafia.
- Se a pessoa cresce sem ser diagnosticada, geralmente começa a investigar o que está atrapalhando seu desenvolvimento no trabalho, na faculdade ou quando vai prestar vestibular e concursos.
- Tem dificuldade com rimas, para soletrar, separar e sequenciar sons ou em discriminar fonemas homorgânicos (p-b, t-d, f-v, k-g, x-j, s-z).
 
Confira sites e livros que abordam o tema:
Sites:
Associação Nacional de Dislexia: http://www.andislexia.org.br/
Associação Brasileira de Dislexia: http://www.dislexia.org.br/
Livros:
A vida secreta da criança com dislexia, de Robert Frank
A dislexia em questão, de Giselle Massi
Aprendizado e suas desabilidades - Como lidar?, de Abram Topczewski
Manual dos Transtornos Escolares, de Gustavo Teixeira
 
 

28/03/2013

Adoção e Devolução

"A adoção, cada vez mais em foco nos estudos psicológicos, sociais e jurídicos, vem sendo, ao longo dos anos, transformada em um recurso mais simples e completo no intuito de extinguir o abandono infantil tão presente na sociedade atual."
 
Assim começa a reportagem Adoção e Devolução: a criança devolvida que está na Revista Contato nº 86, publicação do Conselho Regional de Pscicologia do Paraná do bimestre de Março/Abril, que aborda o tema da adoção que você pode ler na íntegra abaixo ou no próprio site do CRP, clicando no link direto desta edição da revista.
 




22/03/2013

Paraná tem 3.576 crianças em abrigos e 637 aptas à adoção

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 44.313 meninos e meninas vivem hoje em abrigos de acolhimento institucional ou outros estabelecimentos do gênero no Brasil. Deste universo, aproximadamente 86% estão nesses locais há mais de dois anos, período máximo recomendado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). No Paraná, são 3.576 garotos e garotas à espera de uma decisão que defina se eles devem voltar para as famílias biológicas ou ganhar um novo lar. Desse número, apenas 637 estão aptos para adoção. Segundo a presidente da Associação Paranaense Alegria de Viver (Apav), Maria Rita Teixeira, a demora na destituição do poder familiar, que conforme a lei deveria ocorrer em 120 dias, complica as chances de adoção dessas crianças e adolescentes, que quanto mais velho ficam, menos chances têm de conseguirem uma nova família.
[Folha de Londrina – Geral – Mariana Franco – 17/03/13]

Escolas poderão decidir se terão férias durante a Copa

As escolas poderão decidir se ajustam o calendário de férias para o período da Copa do Mundo de 2014, que acontece no Brasil entre 12 de junho e 13 de julho do próximo ano. O ministro Aloizio Mercadante, da Educação, homologou parecer do Conselho Nacional de Educação que questiona a aplicação do artigo da lei sancionada ano passado pela presidente Dilma Rousseff. O MEC entende que a Lei Geral da Copa não pode se sobrepor à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). A Lei Geral da Copa estabelece que os sistemas de ensino ajustem os calendários escolares de forma que as férias escolares abranjam todo o período da Copa. Já a LDB define que o calendário seja adequado às peculiaridades locais e que devem ser cumpridos 200 dias letivos. [Gazeta do Povo – Vida e Cidadania – 20/03/13]