29/08/2011

Abrigos têm 36,9 mil crianças

Pesquisa revela que 22% das instituições brasileiras ficam na Região Sul. Mais da metade dos abrigados têm menos de 11 anos

Publicado em 14/08/2011 | Paola Carriel

Levantamento realizado em todo o país mostra que existem 36,9 mil crianças vivendo em instituições de acolhimento no Brasil. Somente a Região Sudeste concentra 60% dos abrigamentos, seguida da Região Sul, com 22%. Desde 2003 não havia uma pesquisa nacional sobre a temática e o poder público desconhecia quantos meninos e meninas vivem afastados da família. O estudo foi realizado pela Fiocruz em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social.

Uma alteração no Estatuto da Criança e do Adolescente, em vigor desde novembro de 2009, prevê que o tempo máximo de acolhimento seja de dois anos, por isso a partir de 2011 o número de meninos e meninas nesta situação deve diminuir. As crianças são encaminhadas para abrigos quando são vítimas de alguma violação de direito (veja box abaixo). 
A revelação do número real de garotos e garotas acolhidas mostra o limbo legal em que milhares de crianças vivem no Brasil. Isso porque elas são afastadas dos pais, mas o poder familiar não é destituído. Assim, elas não podem ser encaminhadas para a adoção e nem voltam a viver com os familiares. Muitas eram “esquecidas” nas instituições e ficavam lá até a maioridade, o que viola o direito à convivência familiar e comunitária.

Entidades sentem falta de promoção à família
A pesquisa do MDS mostra que quase 70% das instituições de acolhimento foram criadas nos últimos 15 anos, com o objetivo de sanar uma lacuna que o estado não consegue preencher, devido à alta complexidade do atendimento.

Reavaliações a cada seis meses
Em vigor desde novembro de 2009, a Nova Lei de Adoção promoveu algumas alterações no ECA. Agora os juízes têm de reavaliar a situação das crianças acolhidas a cada seis meses – antes não havia prazo e elas acabavam “esquecidas”. Outra mudança é que os pequenos podem ficar acolhidos até 2 anos. Depois deste período, ou retornam ao convívio dos pais ou família extensa (tios e avós) ou são encaminhados para a adoção.

Números ajudam a ver a dimensão do problema
A revelação de que existem quase 37 mil garotos e garotas em abrigos é importante porque desde 2003 não havia estimativa sobre este número. Ou seja, o poder público não fazia ideia de quantas crianças estavam afastadas dos pais.
O vínculo que os meninos e meninas ainda mantêm com a família é a maior prova de que muitas vezes o acolhimento é desnecessário. A pesquisa da Fiocruz e MDS mostra que 60% dos acolhidos têm vínculos e recebem visita dos familiares. Mais da metade deles têm menos de 11 anos e 58% são negros ou pardos.
A pesquisadora Irene Rizzini, presidente da Childwatch International Research Network e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, argumenta que todo o atendimento à infância precisa ser repensado e que isso não pode ser feito de maneira isolada. “As famílias dessas crianças são as mais pobres, geralmente chefiadas por mulheres com problemas financeiros e uso de drogas. Os filhos são encaminhados ao acolhimento, enquanto para os familiares nada é feito.”
Rizzini aponta que é preciso pensar em alternativas além do acolhimento, ainda que os abrigos temporários sejam necessários. Ela explica que há dois problemas na institucionalização: em alguns casos, o afastamento é desnecessário e, depois que ele ocorre, existe uma dificuldade na reinserção e retorno familiar.
O promotor Murillo Digiácomo, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente (Caopca) do Ministério Público do Paraná, afirma ser lamentável a existência de tantas crianças acolhidas. “Precisamos fortalecer a convivência familiar e criar mecanismos de promoção, pois as instituições nunca substituirão a família”, diz.

Vivência nas ruas
O levantamento do MDS apontou que 19% dos meninos e meninas acolhidos já viveram nas ruas. Representante do movimento Criança Não é de Rua, Adriano de Holanda Ribeiro afirma que é comum ocorrer este trânsito dos garotos e garotas entre a rua e as instituições. Em Fortaleza, o abrigo que ele coordena levou dez anos para diminuir a evasão de 90% para 5%. “As crianças em situação de rua têm características nômades e existem poucas instituições focalizadas nelas.” O tempo médio de acolhimento de crianças e adolescentes no Brasil é de 24,2 meses.

Notícia enviada pela Analista de Recursos Humanos de IBTS - Tanielle Christian Andretta Pereira

18/08/2011

Violência contra crianças e adolescentes será tema de seminário em Curitiba

MinistérioPúblico / PR
08/08/2011 12:00

A Associação de Magistrados e Promotores de Justiça da Infância, Juventude e Família do Estado do Paraná promoverá, nos dias 25 e 26 de agosto, por ocasião de seu XXIII Encontro Estadual, o seminário “Violência contra criança e adolescente: na família, na escola e na sociedade”.

Temas como a violência social e sexual contra crianças e adolescentes, bullying e a correção pedagógica e imposição de limites no ambiente familiar serão debatidos por especialistas, representantes de instituições públicas e da sociedade civil organizada (ONGs), além de integrantes da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente.
As conferências contarão com a participação dos convidados: Leila Regina Paiva de Souza, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos/Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes; Ruy Muggiati, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná; Flávio José Arns, vice-governador do Estado do Paraná e secretário de Estado da Educação; Guilherme Bauer, doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Heidefberg, na Alemanha; e Luci Pfeiffer, médica pediatra e coordenadora do Programa de Prevenção à Violência contra Crianças.
Também têm presença confirmada no seminário, o procurador-geral de Justiça do Estado do Paraná, Olympio de Sá Sotto Maior Neto; a promotora de Justiça e coordenadora da AMPIJ-PR, Luciana Linero; e promotores de Justiça e servidores do MP-PR com atuação na área da Infância e Juventude.

O Encontro Estadual da AMPIJ-PR será nos dias 25 e 26 de agosto, no teatro do HSBC, em Curitiba. As inscrições custam R$ 20,00 (vinte reais) e podem ser feitas pelo telefone: (41) 3233-5723 (das 13h às 17h). Outras informações, pelo e-mail ampij.pr@ig.com.br.

Veja a programação completa:
• 25 de agosto de 2011 (quinta-feira)
Solenidade de Abertura
19h00 - Presidência do Encontro: Doutora Luciana Linero (Promotora de Justiça, Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente - Curitiba - Paraná)
19h10 - Presidente da Mesa: Doutor Olympio de Sá Sotto Maior Neto (Procurador-Geral de Justiça do Estado do Paraná - Curitiba - Paraná)
19h15 - Conferencista: Doutora Leila Regina Paiva de Souza (Secretaria Especial dos Direitos Humanos/Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes - Brasília - Distrito Federal)
Tema: Violência na Sociedade
20h15 - Debates
20h45 - Coquetel

• 26 de agosto de 2011 (sexta-feira)
Conferências e debates
08h30 - Presidente da Mesa: Doutor Ruy Mugiatti (Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná - Curitiba - Paraná)
08h35 - Conferencista: Doutor Flávio José Arns (Vice-Governador do Estado do Paraná e Secretário de Estado da Educação - Curitiba - Paraná)
Tema: Violência na Escola: Prevenção e Correção do Bullyng
10h00 - Intervalo
10h15 - Debates
Debatedores
- Ângela Mendonça (Técnica e Pedagoga do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente - Curitiba - Paraná)
- Doutor Mário Luiz Ramidoff (Promotor de Justiça da Infância e Juventude - Infratores - Curitiba - Paraná)
- Doutor Guilherme Bauer (Bacharel em Ciências Sociais e Doutor em Ciências Sociais - Universidade de Heidelberg)
12h00 - 13h25 - Intervalo para almoço
14h00 - Presidente da Mesa: Doutor Luiz Francisco Fontoura (Procurador de Justiça - Curitiba - Paraná)
14h05 - Conferencista: Doutora Luci Pfeiffer (Médica Pediatra e Coordenadora do Programa de Prevenção à Violência Contra Crianças)
Tema: Na Família: A Imposição de Limites e a Correção Pedagógica
15h30 - Intervalo
15h45 - Debates:
Debatedores
- Doutor Eduardo Lino Fagundes Júnior (Juiz de Direito da 1ª Vara de Execuções Penais - Curitiba - Paraná)
- Doutor Wilson José Galheira (Promotor de Justiça da Vara de Violência Contra Criança e Adolescente - Curitiba - Paraná)
- Doutora Lídia Munhoz Mattos Guedes (Juíza de Direito da 1ª Vara da Infância e Juventude - Curitiba - Paraná)
- Doutora Cynthia Pierri de Almeida (Promotora de Justiça da 1ª Vara da Infância e Juventude - Curitiba - Paraná)
17h00 - Encerramento do evento.
17h30 - Reunião de Diretoria da AMPIJ/PR / Prestação de Contas.

16/08/2011

Brasil tem mais de 33 mil crianças e adolescentes acolhidas em estabelecimentos



09/08/2011 - 00h00
Giselle Souza
Agência de Notícias do CNJ

Em todo o Brasil, 33.361 crianças e adolescentes vivem em unidades de acolhimento. É o que revela o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA) – banco de dados criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em outubro de 2009, para consolidar as informações a respeito de crianças e jovens acolhidos em estabelecimentos mantidos por organizações não governamentais, igrejas ou instituições religiosas em todo o país. O levantamento aponta um aumento na quantidade de pessoas vivendo nessas entidades. Em maio deste ano, o número de acolhidos chegava a 30.546 no país.

O Estado que mais registra crianças e adolescentes vivendo em unidades de acolhimento é São Paulo, com 7.387 do total. Na sequência vem Minas Gerais, com 5.178 acolhidos, Rio de Janeiro, com 4.205, e Rio Grande do Sul, com 3.430.

Maior número - O Brasil tem atualmente 1.928 entidades destinadas ao acolhimento, segundo o CNCA. Os Estados com o maior número de acolhidos são também os que mais reúnem estabelecimentos. De acordo com o cadastro, São Paulo é o que mais concentra unidades de acolhimento, com um total de 353. Minas Gerais vem em segundo lugar, com 324 do total. O Rio Grande do Sul, que conta com 211 unidades, vem seguido do Rio de Janeiro, com 166 entidades.

Com relação ao tempo médio de acolhimento, o CNCA apontou que 4.385 das crianças e adolescentes já ultrapassaram um ano nesses estabelecimentos. Outras 2.024 já estão há mais de dois anos nessas entidades e 1.029 há mais de três anos. A maior parte dos acolhidos é do sexo masculino – são 17.548 meninos e 15.813 meninas, segundo o cadastro do CNJ.

O CNCA complementa o banco de dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e contém o histórico de crianças e adolescentes, destituídos ou não do poder familiar, que se encontram em entidades de acolhimento. Segundo levantamento do CNA, o Brasil tem 4.760 crianças e adolescentes disponíveis para adoção. O número de pretendentes, por sua vez, é bem maior – chega a 27.264 em todo o Brasil.